quarta-feira, 15 de março de 2006

Fundamentalismo e Hipocrisia (ou "O Choque de Ignorâncias")

Numa época de grande afirmação das virtudes da civilização Ocidental, mais como forma de menosprezar, comparativamente, as outras civilizações do que o resultado de um amor próprio pelos valores que estão reconhecidamente degradados ou, pelo menos, extremamente mutados por diversos fenómenos internos como o Holocausto Nazi, as enúmeras guerras, as diversas atrocidades e ataques em massa aos direitos mais fundamentais dos indivíduos, todos estes praticados no seio da dita "civilização mais civilizada". Ainda assim, muitos cristãos, eu diria, fundamentalistas se insurgem alegando existir uma pressão do lado islâmico para que nos seja restringida a liberdade de expressão. "Deste lado da barricada" vemos ministros de Estados democráticos levarem à televisão t-shirts com os polémicos cartoons, numa demonstração de força, de superioridade incitadora de mais ódios, revelando assim uma total ignorância daquilo que representa a totalidade do Mundo Islâmico (que não é só o Bin Laden ou a elite que governa o Irão, são as pessoas, os povos, as famílias que, tal como nós consideramos uma aberração os crimes perpetrados pelos Nazis, também eles não se sentem minimamente representadas pelos grupos terroristas. Pelo contrário, muitos demonstram um sentimento de vergonha que é facilmente comparável à sentida pelos filhos dos antigos guardas das SS nazis).

Muitos ainda invocam um passado comum, um legado histórico europeu e eurocêntrico que nos define e nos distingue dos "outros", que nos atribui (quase teológicamente) superioridade. E passam a "recitar": Somos a civilização da democracia, da liberdade de pensamento e expressão para todos os homens (ideia com raízes na Grécia antiga), da Cristandade (espalhada e adulterada pelos Romanos, entre outros), da liberdade, igualdade e fraternidade francesas... São estas as nossas bases civilizacionais. São o chão, as paredes e o "telhado" em que nos abrigamos. O problema está em este "telhado" ser de vidro e nós estarmos a atirar pedras ao do vizinho.



Senão vejamos, dos gregos clássicos muita hipocrisia herdámos, muito machismo e, mais que tudo, a aceitação da subjugação/escravatura como um facto natural da vida. Mas estes não deixaram também de nos legar muitas coisas boas, e estas sim, na minha opinião, mereceriam ser objecto de reflexão, reformulação (actualização) e consequente integração nos diversos quadrantes da sociedade Ocidental, nomeadamente, exércitos mais de legítima defesa do que de ataque e com uma coesão impar. Entre outras virtudes reconhecidas à demokratia grega, destacaria o comunitarismo, o respeito e valorização dos anciãos como contribuintes válidos e valiosos para a sociedade, a aceitação do carácter naturalmente inato da(s) sexualidade(s) e o poder efectivo e saudável dos centros de decisão locais, próximos dos cidadãos das polis. Vendo bem, são raras as comunidades ocidentais actuais conhecidas por terem dado estes saltos civilizacionais [ou deveria antes dizer, este regresso ao passado?]. Estaremos ainda a sofrer do trauma da Idade Média? Da Inquisição? Do Terramoto de Lisboa? Será ainda o medo do implodido comunismo? Ou será pura hipocrisia?!?)

Os romanos trouxeram-nos um pouco de tudo.. Ou antes, um pouco exageradamente de tudo: Do melhor e do pior. Sejam as técnicas de irrigação que mataram a fome a muita gente, as pontes que ligaram vastos territórios, as doenças venéreas, o planeamento urbanístico e higiénico, a miscigenação étnica, a veneração da riqueza e dos bens materiais, mais uma vez a subjugação e escravatura, tudo "seguia atrás" da Legião Romana! Alguns dos casos poder-se-iam aplicar quase literalmente aos Exércitos Napoleónicos, mas juntando-lhe que estes também traziam consigo, e finalmente, uma ideologia de libertação do indivíduo face ao Estado, a si próprio e à religião! (Bem como a destruição, as violações, profanações e os mais variados desrespeitos pelos direitos dos cidadãos saídos da Revolução Francesa (ou não, tendo em conta a visão francocêntrica dos mesmos).

Não querendo ser moralista, mas admitindo que o serei, não consigo deixar de fazer uma analogia com a actual tentativa de imposição dos valores ocidentais enquanto depositários da verdade suprema aos "outros" que não "nós", Ocidentais, tal como o fez, do alto da sua razão, a França napoleónica. Os libertadores republicanos do passado têm demasiadas semelhanças com os nation-builders americanos de hoje. E eu não consigo deixar de demonstrar o meu repúdio por todos os actos de subjugação e até de ingerência infundada nos assuntos internos de Estados que, por vezes, culminam até em invasões à velha moda do século XIV ou do tempo de Júlio César: Vem-se, vê-se e "vai-se vencendo" à custa de muitas mortes de inocentes e do reatamento de ódios étnicos, religiosos e outras instabilidades regionais e/ou tendencialmente globais.

Como se pode ver, também a história da Civilização Ocidental é feita de avanços e recuos e o nosso avanço civilizacional apresenta-se, em vários aspectos, muito reduzido. A ignorância, para mim, um indicador do grau de civilização (ou falta dela), não se apresenta apenas do lado dos países do terceiro mundo, pouco escolarizados e facilmente manipuláveis pelas elites (maneira piedosamente etnocêntrica usada por alguns Ocidentais para definir os povos islâmicos), porque é fácil reconhecer a ignorância, tanto de quem publicou vezes sem conta os cartoons, como dos altos representantes de uma nação que vêm provocar mais ódios e revolta em grupos de pessoas que são, por sua vez, instrumentalizadas, na sua ignorância, pelos mais diversos lobbys religiosos, (para-)militares ou governamentais, com fins pouco ou nada relacionados com a religião ou valores morais, mas sim com ânsias de coesão e apoio internos ou de ascensão na hierarquia da sociedade internacional.


Acima de tudo, é preciso ter bom senso e olhar mais para nós próprios antes de criticar as debilidades dos "outros". Mais do que um "choque de civilizações", aquilo a que o mundo assiste nos dias de hoje é a um "choque de ignorâncias" definido pelo Príncipe Aga Khan no discurso proferido aquando da sua visita a Portugal em 20 de Dezembro do ano passado, como o desconhecimento de parte a parte, o preconceito, a generalização abusiva do "nós" e do "eles", do "bem" e do "mal". No dia em que pensarmos em parar de olhar unicamente para o nosso umbigo talvez tenhamos tempo para nos abrirmos aos "outros", de igual para igual. E mais, no dia em que nos tratarmos entre nós (ocidentais) de igual para igual, talvez haja espaço para nos relacionarmos com os "outros" (sejam estes representados por uma civilização, um país, região, religião ou pura e simplesmente um indivíduo da espécie humana) encarando-os como parte integrante de um todo, a Humanidade, uma só raça habitando um só planeta, pequeno para um Universo tão grande!

quarta-feira, 1 de março de 2006

Pelo Entrudo

Cardadores de Vale de Ílhavo



Uma das várias figuras "demoníacas" do folclore pagão português. Os cardadores saem à rua no Entrudo, calcorreando as ruas de Vale de Ílhavo, cardando as meninas casadoiras, numa explosão de cor, som, cheiro e de caos total. Um susto divino! Onde a divindade não é Deus mas o seu oposto. A religião católica decidiu chamar-lhe diabo. Eu chamo-lhe força da natureza, energia incontrolável, imprevisível mas purificadora.

Vejam neste site as várias figuras semelhantes existentes em várias localidades portuguesas e, conhecendo as vossa tradições, conheçam-se melhor a vós próprios. Vale a pena!

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Kevin Blechdom

Direitos Humanos

Não, eles não existem mesmo! É só o nome de uma cadeira do curso. Ufff! (O suspiro de alívio de muito boa gente por esse Mundo fora)
E, tal como já se sabia, vão pouco ou nada para além da teoria!
Tribunal Penal Internacional?!?! Pfffff! É um fartote! ha ha ha ha ha

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Classificados




OPORTUNIDADE: Especializado em produção de passaportes para criminosos internacionais (líder de mercado) e em lavagem de dinheiro no offshore da Madeira

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Angola por cores


Vai por'li e depois por'li, contorna a rotunda, não vira na 1ª, não vira na 2ª, não vira na 3ª, nem vai em frente..!

Back to where all begun revisited


http://lenadagua.blogspot.com/2006/02/esta-noite-na-casa-da-juventude-de.html

Eu fui! E gostei! Mais, recomendo!

Bons músicos, melhores arranjos... E uma diva do rock português (pasmem) no activo e a dar cartas! E se a sua geração não lhe conferiu o referido e merecido estatuto, que seja a minha a fazê-lo. Espero ansiosamente pelo lançamento do disco e por mais concertos. Ontem Gaia rendeu-se às evidências. Mesmo do cimo das escadas da Casa da Juventude (sim, foi o máximo onde consegui chegar, porque a sala não era grande e estava totalmente cheia) se sentia o fluir das vibrações só perceptíveis quando algo Grande acontece. O passado, o presente e o futuro numa fusão perfeita. Só visto... E ouvido!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

O "céu" não se engana

Brrrrrrsoft

Que friiiio. E parece que o Bill está cá. Mas ninguém o Kill! Porquê? Porquê? Por causa da PSP!


Mas não é só a PSP de Lisboa e arredores que anda atrás do homem, é "a PSP"!!! Em geral e abstactamente falando (neste caso que tem muito de particular).

O que vai ser de nós? Temos que contar só com a GNR? É o pânico, o medo, o horror, a tragédia!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Manual de Geo e Geo

(Geopolítica e Geoestratégia, leia-se)
Esta é a obra de que a minha mente se tem vindo a alimentar, quase exclusivamente e incessantemente, nos últimos dias... Até ao fatídico dia do exame.. E pelo meio, o Cavaco E Silva ganhou, a Fattah perdeu e o Petit está lesionado para o Benfica-Sporting. É esta a conjuntura geopolítica da actualidade!!

segunda-feira, 26 de abril de 2004

segunda-feira, 22 de março de 2004

O Sharon é "pato" e pensa que o vive num aviário!

É isso! O Sharon é "pato" - lerdo, despistado, pouco inteligente... - isto, para não exagerar muito na adjectivação! Só assim se compreende o sucedido hoje na Faixa de Gaza!

É pato e crente! Porque além de ainda esperar pelo messias que há-de vir mas que nunca aparece, pensa que o resto das pessoas que com ele co-habitam o planeta têm cérebros de galinha!

Sr. Sharon: Não nos tome todos como semelhantes do Sr. Bush, por favor!!!
Ingenuidade ou pura maldade?! Agora seguem-se as consequências!

Aos Israelitas e Palestinianos, que Deus os proteja!!! Porque se tanto lutam por Ele, já era tempo de lhes dar uma recompensa! Não?!?!?

quinta-feira, 18 de março de 2004

(...)"Tens um pé numa galera e outro no fundo do Mar"(...)

E Portugal?
No meio desta grande confusão, o que se passa neste pequeno e/ou grande país? O que pode vir a acontecer?
Nenhuma hipótese é de descartar, já se sabe!
Pode nada suceder... Mas pode acontecer-nos de tudo!

Portugal nunca foi grande amigo dos Mouros, diga-se de passagem! Neste caso a velha máxima de sermos um "país de brandos costumes" não é, portanto, aplicável: Basta relembrar os ferozes combates d'O Conquistador e Fundador contra a ocupação (secular) muçulmana, segue-se a conquista do Norte de África, as Cruzadas Cristãs, com a invasão da Terra Santa. Pouco depois, a conquista de redutos árabes na costa índica de África, na própria Península Arábica...

Desfez-se o Império mas parece que nada se aprendeu com os erros cometidos. Antes se glorificam os conquistadores audazes, corajosos e patriotas! Pouco se fala da destruição, da anulação de culturas e povos, do sangue derramado em prol da expansão de um cristianismo "muito pouco cristão", que estes "descobridores" perpetraram!

E muitas vezes se esquece que, tal como nós cometemos este tipo de erro histórico, também o mesmo (mas em sentido oposto) acontece com os povos que sofreram devido à construção do nosso e de outros impérios! E os factos históricos facilmente entram na esfera do senso comum quando algum acontecimento recente a isso obriga!

Especialmente quando na actualidade se vislumbra uma nova tentativa de edificação de um Império que vai custando a vida a mais umas quantas pessoas e que caminha no sentido da anulação progressiva da cultura dos povos neo-colonizados!

E mais uma vez Portugal entra nesta corrida! Desta feita, pelas portas traseiras, enquanto pequeno país com um pequeno primeiro-ministro que, usando basicamente o mesmo procedimento do conhecido "emplastro", arranjou maneira de tirar umas fotos e de ser filmado ao lado, mas especialmente atrás, de personalidades como Bush, Blair e Aznar!



Sem querer ser pessimista, apenas pretendo dar algumas razões bem plausíveis para a real possibilidade de, devido a erros estratégicos na actualidade que podem bem reavivar memórias, e tendo em vista a proximidade de grandes eventos de visibilidade mundial, se dar um atentado no nosso pacato país, habitualmente alheado de problemas desta natureza! Foi-o, realmente, até Durão Barroso o retirar dessa situação, sem que eu até agora tenha conseguido encontrar uma razão lógica e racional que o justifique.
Assim vai o Mundo! E assim vai o país! Sendo que este último está cada vez mais (para o bem e para o mal) integrado no primeiro e sem que uma grande parte das pessoas disso se queira aperceber!